quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Novo ano.

Há visões de uma vida que sempre foram o nada do tudo que quiseram ser.

Hoje os meus medos são outros e as ilusões são as mesmas. Tenho medo da eternidade, desespero pelo que não vem e soluço no pânico de não ser nenhum.

E hoje. Hoje quero tudo.

Quero um mundo novo com um amor impossível que me mude a visão e o pensamento.

Quero uma estrada sem destino que me leve para onde quero chegar.

Quero um dia infinito para ser tudo aquilo que não tenho tempo para ser.

E no final da vida só quero uma coisa mais: ser feliz.

Ao novo ano que chega agradeço que me dê o que eu precisar. Seja o que for, que venha depressa e deixe-se ficar por muito tempo.

Aos outros. Mais do mesmo que me quero pra mim. Felizes sejam.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Consciência.

É aquela certeza de algo que não está bem. Aquela certeza de que se cometeu erros que vão ter uma consequência com um desfecho indesejado. Aquele "clic" da mente que nos diz que por muitas precauções que se tenha tomado, a consciência não está em descanso absoluto.

As mudanças já se notam e o medo aumenta de dia para dia. Tem que se ser radical e mudar o estilo de vida e o rumo que as coisas estão a tomar. Tomar a decisão definitiva de que tem de ser assim.

A minha vida mudou e a correria agora é outra. Um pouco imprevisível mas estável. Falta organização e metodologia e controlo das vontades e dos desejos. A preguiça sempre foi um ponto fraco. Mas há acontecimentos que deveriam obrigar à mudança definitiva.

Não sei como voltar ao ponto zero. Mas a verdade é que o sacrifício vai ter de voltar a ser grande e desta vez tem de ser definitivo. Está na hora de voltar aos carris e percorrer o caminho a uma velocidade estável. Já perdi tempo demais na espera do impossível.

Quando queremos algo bem feito, devemos ser nós a fazê-lo. E se o queremos feito de todo é melhor mexer agora. Porque o ontem já lá vai e o amanhã está cheio de projectos inacabados que tiveram espaço para serem concluídos hoje.

sábado, 6 de novembro de 2010

Vago

O mundo converge para um estado em que um minuto de distracção é o suficiente para mudar o rumo das coisas para sempre. Cada vez mais é obrigatório sermos focados em cada instante de cada acção que tomamos.

Eu não sou uma alma fixa. Não consigo prender-me dentro deste meu corpo inadaptado e ser mecânica. Preciso de viajar o espírito, deixá-lo vaguear enquanto faço coisas que o mundo real me obriga a fazer. Como fazer o almoço, ouvir música, fazer limpezas, conduzir. Não consigo focar-me unicamente no que faço e mecanicamente passar ao seguinte sem que a minha alma esteja noutro sítio qualquer no mesmo instante. Um contraste claro com o facto de precisar de uma metodologia para fazer as coisas bem como o faço no trabalho por exemplo. Ou seja, estou sempre onde não estou, mas o meu corpo está e tudo tem de estar no seu lugar para que funcione bem. Aquele estado de controlo absoluto sobre as coisas. Sou eu. E aquele estado de vazio em a minha alma precisa de vaguear. Sou eu.

O mundo de vez em quando acorda-me. E na maioria das vezes quando o faz, fá-lo de forma a que ainda volte a tempo de remediar. Ontem não foi o caso. E agora está na altura de lidar com as consequências antes que me envie outro abre olhos com o qual não quero ter de lidar.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Defesa.

É incrível como um minuto faz toda a diferença. Aquele impulso de dizer o que não se conseguia e finalmente percebemos que tem de sair. O quanto a outra pessoa pode mudar no instante em que ouve aquilo que precisava de ouvir.

Com o tempo perdi a capacidade de dar o braço a torcer. Fi-lo tantas vezes para divertimento de quem não o merecia, que o dia chegou em que disse "Basta!". Provavelmente disse-o à pessoa errada. Ou simplesmente era a pessoa certa. Aquela que precisava de o ouvir de mim. Porque para mim tudo tem um motivo. E por muito que esse motivo pareça injusto por muito tempo que seja, no final talvez não o seja.

Hoje quebraram as minhas barreiras. Construí um muro à minha volta que nunca pensei ser capaz de construir e ao mesmo tempo sinto que era já tempo de o fazer. Mereço respeito, mereço silêncio e mereço ser dona de mim mesma sem me espalhar por tudo o que é sítio. Mereço ter o meu espaço que só partilho comigo e com quem mereça entrar no meu castelo. Escolhi as minhas defesas e restringi-as a uma conta que não preenche os dedos de uma mão.

Tirei uma pessoa desse espaço porque não a achei digna. Simplesmente deixei de saber perdoar a certo ponto e esse ponto bateu nessa pessoa. Ironia do destino pois durante muito tempo perdoei demais a quem não o mereceu. Mas depois do 8 e do 80 acho que está na altura de aprender a encontrar o equilíbrio.

Ainda vou precisar de tempo. Ainda não sei onde vou colocar uma peça que antes era fundamental. Mas hoje quebraste as defesas. É bom que não traias a confiança. E a verdade é que a saudade é muita e há ligações que são difíceis de ignorar.



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ninguém

Gostava de ter de tudo para saborear o nada. Saber o que é a manhã e aproveitar o nascer do sol com os olhos abertos e o espírito em liberdade.

Gostava de ser artista, de ser alma, de ser paixão. Pura, sem medos, sempre à deriva na descoberta de ser o mundo. E depois espernear, esticar os braços e tocar o infinito.

Gostava de ser pássaro, ser borboleta, ser efémera e ser eterna. Porque a imagem é sempre a mesma e a forma no entanto muda de cada vez. As asas são outras, as cores são outras e a visão que se tem do mundo também.

Gostava de saber para onde. Gostava de saber para quê. Gostava de saber como. Gostava de simplesmente ser. Eu. O outro. Ou no fundo não ser ninguém.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A ti que desconheço

Não te devia dar esta importância, até porque provavelmente nunca me vais ler. Mas acho que a mereces.

Começo por te dizer que não te odeio. Nem pouco nem muito. Não te odeio de todo. Sei que não és má pessoa, que não ages de má fé nas coisas que fazes e que amas o que tens. Aliás, que razões teria eu para te odiar? Apareceste para tentar curar o que eu feri, e depois de muito esforço finalmente conseguiste. Só te tenho de agradecer.

Já o contrário acho provável e minimamente aceitável. Não acho que mereça. Mas acho que tens esse direito. Por isso deixo que me odeies ou que te seja indiferente pois sinceramente não sei o que é pior.

Há algo que não gosto. Que partilhes os meus amigos. Que tenhas vindo procurar-me para os descobrir e ficares a conhecê-los. Porque não sei até que ponto não o fizeste com a intenção de me irritar e isso irrita-me. E se te faz feliz que algo que faças me incomode, muito bom proveito.

Espero do fundo do coração que sejas feliz. Depois de tudo o que sofreste mereces paz e sossego e uma vida melhor junto de alguém que te merece. Só espero que tenhas encontrado esse alguém e que esse alguém te faça feliz. Não vou fingir que não me custa ver o que outrora foi meu nas tuas mãos, mas a verdade é que o carinho que sinto por ver-vos felizes ultrapassa aquele pequeno aperto de ciúme. E não digo nada disto com ironia ou desdém. Digo tudo isto com sinceridade plena.

Não sei se quero um dia conhecer-te e dar-me a conhecer. Não sei se algum dia vou querer voltar a ser amiga de quem te pertence. Mas sei que quero que encontrem a felicidade e se a encontrarem juntos ainda bem.

Até talvez um dia.

domingo, 3 de outubro de 2010

Pânico solitário


O esforço para me carregar a mim própria até tem tido os seus frutos. Na maioria dos dias que se atravessam à minha frente aguento-me com alguma facilidade. Chego a comentar comigo mesma que sou feliz. Mas hoje não é o caso.


A verdade é que o pânico da solidão ainda vem de vez em quando. Como hoje. Há dias em que o coração reclama os seus direitos e me pergunta onde está o carinho, o amor e tudo o resto. Onde está a família, onde estão os amigos. E a minha mente esforça-se para o mandar calar. Com que direito pode o meu coração fazer perguntas tão pertinentes? Com que direito se sente ele de dizer o que sente? Todo o direito, bem sei. Mas mesmo com todo o direito de o fazer, quero que se cale. Porque o sacrifício tem de ser feito e ele tem de se aguentar sem nada do que pede.


Ainda tenho medo da solidão. Não gosto de voltar para uma cama vazia. Não gosto de não ter um número para onde ligar e poder contar o meu dia. Não gosto de não ter com quem passear, com quem fazer compras, com quem ir beber um café e comer uma tosta mista. Mas a verdade é que a opção que fiz na minha vida é outra. Por agora vou ter de ir aumentando a saudade, a distância, o vazio para poder me ter a mim e seguir o que preciso para ser feliz. O pânico que me atravessa surge-me por saber que aquilo que preciso pode nunca vir até mim.


E sim tenho medo da solidão. Tenho medo de querer voltar e não ter uma casa que diga ser minha. Não ter amigos que me reconheçam. Não ter carinho. Não encontrar o braço direito. E não encontrar a metade que me falta. Por isso hoje estou em pânico. E não tenho ninguém por perto que me possa abraçar e dizer "estou aqui".

sábado, 18 de setembro de 2010

Baralhada

Como é que se esconde aquilo que se sente por alguém que não se conhece? Seja bom ou mau, como é que se faz?

Sinto-me baralhada. Não sei se confundo a necessidade de querer com o querer de facto.

Sei de uma coisa. Sei que sinto interesse em conhecer algo que não conheço, saber porque esconde o sorriso por detrás da frustração e espécie de raiva que o ilumina. Porque a maioria das vezes a expressão é cerrada, mas quando aparece o sorriso é tão sincero.

Sinto-me baralhada. Porque sinto interesse de onde senti interesse da primeira vez e agora não sei se o sinto ainda.

Sei de uma coisa. Sei que o meu interesse é outro. E custa-me porque o primeiro interesse era muito meu. A pessoa era muito a minha. Mas agora não o é. Talvez por não gostar do óbvio. É simples, e talvez demasiado simples para mim. Enquanto que o segundo interesse é de facto interessante.

Gosto do obscuro. Gosto da cura. Gosto do não saber, da dúvida, do desinteresse que não sei se é interessado e na maioria das vezes me parece não o ser. Gosto da brincadeira. Da luta.

Mas não gosto de estar baralhada.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Aparece!

Procuro-te. Procuro-te porque te preciso. De ti e de tudo aquilo a que tenho direito. Não sei se vens no tapete voador, no cavalo branco ou simplesmente a pé, mas seja como for, vem.

Sinto-me cansada de ser sozinha comigo mesma. Preciso de alguém a quem confiar os medos, as inseguranças, as alegrias, as vontades.

De momento sinto-me demasiado confinada a mim só. O que não é péssimo! Até agora era exactamente o que queria. Ser apenas eu comigo mesma. Sem ninguém a quem dar satisfações, ninguém a quem as pedir. Era bom... Era. Porque agora começa a tornar-se aborrecido.

Por muito que lutemos contra isso, a verdade é que precisamos de alguém. Sabe bem demais deixar o corpo ir, a alma seguir, o espírito voar agarrado a outro espírito. As borboletas no estômago e o bater do coração. O estar ali e apreciar o estar ali. Só os dois. Naquele momento de nada, vazio. A dois.

Ah! Fazes-me falta já. Por isso chega. E chega depressa. Estou farta de estar à tua espera.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vazio social

*não é minha. (all rights reserved to kitaanat)


Não sei se será da idade ou das pessoas que aqui vivem. Mas desta vez, pela primeira vez no sempre da minha existência, sinto dificuldade em encontrar alguém a quem chamar amigo. Preciso de mais.


Não quero ser injusta! Gosto das pessoas com quem mais convivo de momento. Mas não são as pessoas que preciso por agora.


A culpa deve ser minha por não ter lugar fixo de poiso constante. Não tenho uma rotina que me permita conhecer gente da minha idade num lugar fixo a uma mesma hora. Mas o problema também me parece ser do local onde estou. Não encontro um sítio onde possa conhecer pessoas da minha idade que não tenham como objectivo casar e ter filhos ou que não os tenham já.


As pessoas que me parecem interessar são de longe. À minha volta ou é tudo mais velho ou tudo mais novo ou é tudo com filhos. Não é culpa de ninguém! Como sempre na minha vida social, quando me sinto só, não é culpa de ninguém, mas sim das circunstâncias. Pensando bem, é capaz de ser culpa minha, escolho sempre as alturas erradas para me sentir só. Mas bom, visto de outro prisma, sinto-me só porque ninguém está disponível para mim. É pena que essa indisponibilidade calhe sempre quando eu preciso.


E enfim, aqui até tenho uma espécie de grupos de amigas. Mas aos 25 anos não me apetece ter apenas um grupo de amigas com idades compreendidas entre os 35 e os 45 com marido e filhas. Gosto das pessoas em questão, mas preciso de algo mais adequado a mim. Preciso de mais... Esta paragem no tempo, este vazio social está a fazer-me mal. À mente e ao ego.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Incerto


Apareceste quando não procurava e atingiste-me onde precisava.

Fizeste-me bem. E tenho que te pôr um ponto final. Ou um parágrafo ainda sem continuação, sei lá eu... A dúvida continua a mesma, pois não sei no que te transformar.

No fundo quero-te presente mas hei-de sentir a tua ausência até aquele minuto que não sei onde se perde no tempo...

O futuro é pouco incerto em tudo o resto mas em relação a ti é uma incerteza profunda. E não me magoa a distância de momento. Sim, fazes-me falta mas não me dóis. Apenas não sei em que plano te colocar, em que posição te disponho, enfim, não sei de todo o que fazer contigo!...

Não preciso de fazer nada, tens razão. Mas o pairares ali no ar incomoda-me porque eu estou em ponto de arrumações! E também não quero que desapareças! Deixa-te estar onde estás porque incomodando ou não já não sei se me incomoda mais que fiques ou que partas.

De mal o menos acomoda-te aí. Quero é que chegue o depois para poder ver o que é que ele é e o que é que ele me traz de bom. Até porque o bom até pode ser algo que me magoe. Nem sempre aquilo que é bom para nós nos faz bem. Às vezes faz mal e é de facto o melhor. Logo se vê.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Faca de dois gumes


Deixas-me a pensar. Se devo se não devo. Se quero, se não posso.

Desconheço o caminho que me penso atravessar e duvido se o quero. Mas normalmente a curiosidade é tão mais forte...

No entanto tenho medo.

Estou farta do arrependimento, do inseguro, da não certeza de mim. Estou farta do querer voltar quando já não há marcha atrás.

O destino proporciona-nos coisas a que não nos esperávamos deparar. O destino ou outra coisa qualquer que nos leva onde chegamos todos os dias. Mas seja o que for, surpreende quando menos esperamos, dá-nos o que procuramos quando menos precisamos e faz-nos escolher quando não queremos mudar. Sinto-me numa faca de dois gumes. E vou-me cortar de um lado ou do outro.

Acho que a opção em tudo na vida acaba por ser sempre só uma. Temos que escolher o corte menos doloroso. Agora só me resta perceber qual deles é qual.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Turbilhão


O instante é aquele ponto do tempo que nos troca as voltas e nos faz repensar em tudo. Sinto-me como se o tempo me tivesse dado o instante perfeito e no entanto não o aceito como ponto de viragem.

A poeira tem de assentar antes de podermos ver a paisagem com clareza e definição. Hoje sinto-me acordar de um sonho pois a realidade é demasiado fictícia para poder ser de facto realidade. O ontem está tão perto e no entanto nem parece ter sequer existido.

As emoções rebolam em turbilhão e não sei o que sentir. Quero abraçar o corpo mas acho que sei que a metade não é a minha. E quero conhecer o mundo mas não sei se quero fazer parte dele. Ser espectadora é tão mais fácil e acarta tão pouca responsabilidade. E não quero mais ser responsável por maus momentos. "Magoar" é a palavra que quero erradicar do meu dicionário. Cortar pela raiz e não deixar mais crescer no meu jardim.

A distância entre o céu e o inferno é demasiado curta e o caminho demasiado rápido. A descida mata-nos o bom que antes tínhamos e a subida faz-se sem poder apreciar. Quem dera que o tempo fosse maior e a distância menos larga.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia da mudança.


Evado-me do espaço para encontrar o que não perdi. Porque afinal, o que seria do tempo de não fossemos feitos daquilo de somos?

O sentido existe e no entanto é tão real, tão puro, tão meu. As palavras são apenas esboços daquilo que quero dizer, nunca suficientemente profundas para ilustrar a paisagem, nunca suficientemente fortes para demonstrar o amor que vai cá dentro, a dor que se me entranha pelos poros não fechados e se evapora quando lhe apetece.

Hoje é dia de não amar. Dia de não querer. Dia de chocolate quente para aquecer a mão fria. Hoje é dia de encontrar o bem que há em mim e transformá-lo em paz de espírito. Aquilo que os outros dizem já não o quero, já me chega, já me fartei. De qualquer forma eles não vêem a luz.

Hoje é dia. Finalmente dia da mudança. Somos feitos de um pó que desconhecemos, um corpo que não é nosso e uma alma que ignoramos. Aproveitemos enquanto é tempo. Porque o amanhã chega depressa e o ontem já se foi.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Burros.

Tenho a cabeça feita em água. As mudanças em que quero acreditar não se fizeram, e continuo a ser a podridão que me vêem e não existe em mim.

Todos fazemos erros. Todos cometemos loucuras, todos passamos por fases estúpidas, que nos fazem passar de um estado menos bom para um estado melhor. Ainda estou a recuperar da minha, mas aos poucos a minha essência volta a ser a minha essência, e aquilo que sou volta a ser eu. Mas para todos os outros que não têm luz, que não vêem com olhos de ver, continuo a ser um monstro.

Bem sei que não têm a capacidade de ver. Bem sei que não têm a capacidade para perceber. E tenho pena porque vejo neles o potencial e não os consigo iluminar. E alguns não o têm mas mesmo assim sinto-me frustrada por não os conseguir ajudar.

Nos dias de hoje continua a fazer-me confusão como a diferença de classes é tão forte e separa tanto as pessoas. Chamem-me de hipócrita, chamem-me de mesquinha, chamem-me o que me quiserem chamar, mas a verdade é pura e é apenas essa. Há um fosso entre os que estudam e os que não estudam. Há um fosso entre os que se aplicam e os que não se aplicam. Há um fosso entre pessoas que não passam pelo mesmo tipo de experiências durante a vida. Não é uma questão de inteligência. É uma questão de esperteza, de trabalho e de esforço. É uma questão de sacrifício e uma questão de bondade.

Há dias em que me sinto completamente frustrada e desamparada. E chamem-me o que quiserem. Mas a verdade é que há dias em que me apercebo que sou demasiado inteligente e iluminada para lidar com esta gente.

domingo, 30 de maio de 2010

Até logo*


Existe mais uma estrela a brilhar no céu. E um anjo para me abraçar quando me sentir sem forças.

Amo-te Avó Linda. Obrigado por teres existido na minha vida. Até logo.


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Afinal estão duas novas estrelas no céu. Um beijinho tio Jaime. Fico feliz por te terem encontrado e mostrado qual era o caminho a seguir. Já andava perdido há demasiado tempo. Também gosto muito de si.*


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Avó.



Todos chegamos. Com alegria, com felicidade e com festa. E todos partimos. Uns mais cedo, outros mais tarde. Todos partimos. E a despedida não é fácil. Mesmo quando é tão tardia.

Todos o esperamos há muito tempo. Com tristeza, com angústia e com dor. Porque te queremos aqui. Porque te queremos connosco e se possível para sempre. A sorrir, a rir, a brincar. Com essa tua alegria, com essa tua boa disposição, com esse teu riso que só tu tens, com essa tua voz que nós bem conhecemos. Com essa energia que é só tua, essa luz que só a ti pertence e que agora quer deixar esse corpo que é só teu.

Todos o esperamos. Mas nenhum de nós continua preparado para esse momento.

Ainda não partiste e já tenho saudades de ti. Desses teus belos olhos de uma cor que se mistura com cores indistintas e tão belas. Um verde que não é verde, um azul que também o é, um cinzento que desconheço. Saudades de acariciar a tua pele gasta pelo tempo e que tão bela te tornou. Como gosto das marcas do tempo que ganhaste. Das horas que gastavas a cantar. Das histórias que conhecias, dos momentos que te marcaram, das tuas lágrimas ao relembrar essa memória que te pertencia só à tua pessoa.

Gosto de ti desde que me conheço porque existes desde sempre na minha vida. Não sei o que é não fazeres parte do meu mundo porque estás nele desde o início da minha memória. Não sei o que é não te ter, não te saber por perto, não poder ver o teu sorriso sempre que me apetecer. Não sei o que é não ouvir a tua voz, não ouvir o teu riso, não ouvir o teu ralhar e resmungar.

Agora já nem sei a quem vou eu dizer coisas tontas, a quem vou eu pedir um abraço com os dois braços. Com quem vou eu brincar a dizer para te portares bem. Para não saíres até muito tarde sabendo que nem da cadeira quase te conseguias levantar. A quem vou dizer "Gosto muito de ti"? e quem me vai responder "Também gosto muito de ti. E de vocês todos."...

Bem sei que é um até logo. Bem sei que o logo chega um dia, ou noite e o tempo vai passar mais depressa do que parece. Hoje é o presente e o futuro chega amanhã. Mas no entretanto vou ter que te dizer adeus. E a saudade vai instalar-se até te poder dar um novo beijo seja em que forma existirmos nesse momento.

Amo-te avó. Fica enquanto conseguires e quando fores, volta sempre que quiseres.

sábado, 15 de maio de 2010

Solitária

Aqui estou. No mundo perdida em mim. Sozinha e desencontrada de tudo e de todos.

Entro nos bares à procura de gente e encosto-me à espera que venham ao meu encontro. Falamos de tudo e de nada e do mundo e da vida. Entro sozinha e saio sozinha. Como um fantasma existi e desapareço. Vou quando quero e volto quando me apetece.

Sinto-me só, mas sinto-me bem. Sinto-me como espectadora de mim mesma, desfasada do mundo, uma perfeita extraterrestre em terras de ninguém. Existo e ali estou. Mas não sou eu. Não me conhecem e eu não faço o esforço. Simplesmente rio-me de tudo e de todos, observo e sinto-me sempre do lado de fora.

Pela primeira vez estou completamente só no mundo.

Tento absorver e aprender tudo aquilo que é novo. Cada gesto, cada olhar, cada sorriso. O pegar do copo vazio e o trocar pelo copo cheio. O meter conversa aleatoriamente e sentir isso como normal...

Mas um dia eu volto. O lar é o nosso espaço, o nosso mundo, a nossa motivação. O nosso mundo. Não sei se quero demorar demasiado tempo até me decidir a fazê-lo porque não sei com o que é que conto quando chegar nem quem vai lá estar para me receber.
Portanto desejo é que o caminho tenha valido a pena.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Não tenho esse direito

Não tenho esse direito. De que querer, de te desejar, de te ter para mim. Não tenho esse direito. E no entanto posso. Porque sem te aperceberes tu deixas. Sem te aperceberes tu ficas. Sem te aperceberes continuas a ser meu. E eu não tenho esse direito.

Quero-te feliz. E dói porque nós somos felizes quando estamos juntos. Nós somos felizes quando vivemos o agora. Somos felizes quando caímos nos braços um do outro e deixamos o mundo do lado de fora.
Mas somos infelizes quando pensamos o futuro. Somos infelizes quando vivemos um pouco mais à frente. Somos infelizes quando voltamos ao mundo lá fora e tentamos viver as nossas vidas.

Tudo isto me dói. Esta dualidade de te querer e não te poder ter. És uma peça do meu puzzle e não te posso encaixar nele. Porque não tens a mesma cor. Embora encaixes tão perfeitamente.

Se te amo, tenho que te deixar partir. E não consigo. Porque odeio imaginar-te nos braços dela, nos beijos dela, na cama dela. Odeio que ela te goste como eu te gosto. Que ela te queira como eu te quero. Que ela te tenha como eu te tive. E não a consigo odiar porque ela não tem a culpa. A culpa é minha porque te perdi. E não posso destruir o teu futuro com ela. Pois já destruí o meu contigo.

Mas não me sinto pronta para te deixar partir. Não sei como o fazer sem nos fazer sofrer.

Eu quero-te mesmo feliz. E a tua nova felicidade talvez seja com ela. Mas o meu egoísmo grita-me aos ouvidos dizendo que não te quero feliz sem mim. E eu tenho de aprender a não lhe prestar atenção.

domingo, 9 de maio de 2010

Medo do escuro


Eu não tenho medo do escuro, tenho medo de ti. De te amar demais, de te querer demais e de depois te magoar.

Não somos feitos um para o outro mas não sabemos viver um sem o outro.

Eu volto, tu voltas, eu parto, tu partes. Mas voltamos, e ficamos e amamos cada momento apenas para partir depois.

Tudo me deixa de pé atrás, mas o pouco que há é tão forte que equilibra as contas no final. Posso dormir com quem quer que seja, que ninguém me faz melhor companhia que tu. Provavelmente porque tu me amas e os outros não. Ou simplesmente porque és tu que quero quando durmo com outros. Por isso prefiro não dormir de todo com ninguém.

As coisas hão de mudar um dia, mas não sei porquê, sinto sempre que não. Algo me diz que não foi o último, algo me diz que haverá mais um pouco mais tarde. Algo me diz que és meu e eu sou tua. E não sei como o contornar porque sei que não o quero contornar.

De qualquer forma não estamos. E continuo a ter medo de ti. Porque quando a noite cai fica escuro e tu não existes no meu colchão para me abraçar. E se existisses não saberia o que fazer contigo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Círculo completo

Vivemos em círculo. Sempre a passar do ponto mais alto para o ponto mais baixo, atravessando o ponto mais perto e o ponto mais longe. Somos donos da nossa alma, donos do nosso caminho, mas o fim já o sabemos desde o princípio.

Em tudo somos um círculo. No trabalho, no dinheiro, no amor. No amor... Mais cedo ou mais tarde voltamos ao mesmo, mesmo quando as coisas não são as mesmas. O verdadeiro sentido vai ser o mesmo. Cometemos os mesmo erros também. E podemos tentar evitar mas acredito que se precisarmos de o cometer vamos cometê-lo na mesma. Podemos adiar a sentença mas ela é sempre lida. E a verdade do círculo é que é mais fácil estar lá em baixo. É preciso menos equilíbrio e força. Mas quando se chega lá acima sentimo-nos felizes por lá termos chegado e vale a pena manter o equílibrio para lá ficar.

Hoje sinto-me feliz. Fechei um círculo e sinto-me confortável na minha pele. Ainda duvido se o quero recomeçar, porque quero mas não quero. Quero por uns motivos mas não o quero por outro. Precisava apenas de o completar e sentir-me confortável em revivê-lo. Já me sinto confortável.

Continuo a querer limar arestas porque sou perfecionista, mas já o consigo percorrer com alguma fluidez e paz de espírito. É interessante quando nos damos conta de que afinal aquilo que pensávamos ter perdido para sempre, volta às nossas mãos da forma mais improvável no momento mais certo.

Já não ponho tanto em causa as decisões que tomei. Já não me magoam tanto tê-las tomado. Já me sinto confortável na minha pele, embora ainda não queira deixá-la cair. Quero mantê-la, saboreá-la e quando tiver a certeza deixá-la cair.

Sinto-me finalmente no fim do círculo. Porque voltei ao início do mesmo. E a continuação não irá ser a mesma. Mas ao menos cheguei ao fim.

-.-

"Vamos manter as coisas até não as podermos manter mais. E só depois é que as largamos."

sábado, 1 de maio de 2010

Façam-se à luta!

Hoje a conversa é outra. Vou deixar a minha faceta poético de lado, para deixar vir ao de cima o meu lado, como hei-de chamar, vivido vá! (não que o outro não seja vivido, mas é vivido a um nível menos mundano).

Depois de uma boa conversa de café com companhias super agradáveis, sinto necessidade de me expressar ao sexo masculino em geral. Aos que são gays, meus amores perdoem-me mas deixo-vos de lado, principalmente porque não estão incluídos nesta minha dissertação. Apenas vos tenho a dizer algo que nunca vos disse que é: vocês irritam-me. Porque normalmente vocês são giríssimos, boas pessoas, inteligentes e nós não vos podemos ter como opção!

Porque sim: ou se é giro e gay, ou giro e ocupado ou giro e convencido, enfim! Já consegui perceber que o homem giro perfeito não há!

Portanto, aos homens/rapazes em geral, a minha mensagem é a seguinte: vocês têm de saber fazer as coisas. A verdade é que hoje em dia não sabem!

A vida não está fácil. A qualquer nível. E sim, para encontrarem alguém decente a tarefa começa a tornar-se complicada, pois apesar de ser rapariga, bem vejo que existe por aí muita "coisa" que envergonha o nosso estatuto de sexo feminino. Contra a minha "raça" falo. Mas é a mais pura das verdades.

Mas, tudo se consegue! Com esforço, dedicação e (principalmente!) inteligência.

Existem dois tipos de raparigas/mulheres por aí a quem vocês podem tentar "atacar": as necessitadas e fáceis, e as necessitadas e inteligentes. Ora, o vosso discurso para cada um destes tipos tem, obrigatoriamente de ser diferente.

Considerando-me (e sabendo-me) como uma rapariga minimamente inteligente, confesso que me sinto cansada de conversas de "xácha". Alguns até me conseguem despertar algum interesse momentâneo, mas infelizmente é sol de pouca dura. E isso irrita-me porque normalmente até são pessoas bem interessantes. Só que fazem as coisas mal!

Aprendam a ser inteligentes. E aprendam a dividir o joio do trigo, porque se não o fizerem vão continuar a colher os frutos podres quando com alguma paciência e trabalho seriam capazes de comer fruta madura.

Por isso aprendam comigo que eu não duro sempre: a conversa de engate funciona. Quando é bem feita. Façam-se à luta!



Algumas coisas a evitar:
- nomes como fofinha, querida (ui!), giraça (só porque já andam muitos a usar essa palavra...), lindona, etc
- oferecer dormida ou oferecer-se para dormir quando ainda não há confiança para esse tipo de conversa (mesmo que seja na brincadeira do "a ver se pega")
- dar elogios tirados das séries de televisão (principalmente se não vierem da Anatomia de Grey)
- serem convencidos
- perguntarem se vos achamos giros, ou o que achamos de vocês. Se não vos dissermos por vontade própria, não o perguntem, porque soa mal!
- dizer frases feitas ou demasiado lamechas
- concordarem com tudo o que dizemos, porque nós gostamos que no fim concordem connosco, mas não nos interessa alguém que não nos dê o mínimo de luta.
- não ligarem no dia a seguir.
- não nos pagarem o café (sim, pode parecer feminista mas a verdade é que nos cai muito bem).


Coisas que resultam:
- Arranjar uma frase ou um nome diferente para dizer de vez em quando. Qualquer coisa que diferencie. Como por exemplo: "Bom dia sol" ou algo do género. Pode ser bimbo mas se for dito da forma correcta, com naturalidade e numa altura conveniente pega.
- Não ser demasiado chato, irritante, peganhoso. Tudo tem a sua conta e medida.
- Fazer coisas espontâneas. Exemplo: apanhar um malmequer num descampado e entregar quando vêm ter connosco. Pode ser uma coisa tola, pode a flor estar murcha, nós vamos achar piada à gracinha.
- Ter conversa inteligente. Vocês têm que nos dar luta. Têm que saber fazer jogos de palavras, apanhar-nos em falso com uma boa resposta, saber falar de cultura, política, espíritos, mas sempre com um ponto de vista pessoal e de uma forma natural.
- Arranjarem-se. Podem não ser o gajo mais giro à face da terra. Não é preciso. Precisam apenas de ter um charme, terem cuidado com o que vestem, gostarem de estar bem para mostrarem que estão bem, com confiança.


As mulheres são mesmo muito complicadas. Mesmo muito. E em certas ocasiões se calhar o melhor é ocultar e noutras o melhor é ser sincero na mesma situação. Não há uma regra. Vocês têm que aprender a ser inteligentes e ter sensibilidade para perceber quando se faz o quê. É uma questão de fazer um esforço para perceber cada uma de nós em cada um dos nossos momentos. É uma tarefa exigente, mas nada que não consigam levar a cabo!


No fundo a ideia principal é esta: Façam-se à luta e lutem bem!


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Fechar o livro

O fechar do livro. A história tem de ter um final e demorei tempo a mais a ler o último capítulo. Os motivos podem ser muitos mas eu sei que foi apenas um: eu não gostei do final e continuei a não o querer ler. Hoje li e talvez tenha que o reler até aceitar o final da história. Porque não é o final certo.

O novo livro vai ter nova história com personagens que desconheço. E a sensação é dúbia. Sinto a curiosidade de saber quem são, como são, o que fazem do mundo. Mas sinto o medo de não gostar. De me irritarem, de serem mesquinhos, de serem estúpidos. A história pode correr bem, mas também pode correr mal. Na vida real nem tudo tem um final feliz. E o príncipe encantado nem sempre é um príncipe. O Aladin fez-se passar por algo que não era. Mas eu quero viajar no seu tapete voador.

Talvez um dia venha a compreender porque o escrevi assim. Talvez a continuação da saga seja interessante e o objectivo final aconteça. Talvez algumas personagens se mantenham. Talvez as coisas façam mais sentido. E talvez os outros o consigam compreender. Ou talvez não.

Tenho livros favoritos. O que fechei é o meu. Aquele que vou guardar com carinho e amar as páginas gastas até ao fim dos meus dias. Mesmo que o final não tenha sido feliz.

sábado, 24 de abril de 2010

Minoria

Sempre a fazer os mesmos erros. Sempre os mesmos erros. Vezes e vezes sem conta.

Não é suposto aprender-se com o passado e reagir de forma a não errarmos da vez a seguir? Não é suposto mudarmos? Queria poder sentir-me mais forte, mas sou sempre tão fraca. Sempre tão sem forças para reagir contrariamente ao que quero e não quero. Porque eu quero porque sim e não quero porque não na mesma situação. Por muito que isso seja complicado de compreender, para mim isto é tão óbvio.

A situação repete-se. A mente divide-se em três: Duas partes que lutam e uma terceira que observa. Segue a batalha. Eu estou de fora e vou observando a luta em que uma vai ganhando sobre a outra. E vai ganhando quase sempre a que eu não quero. Chego ao fim e ficam as cicatrizes que tenho de tratar e com as quais não sei lidar.

A frustração aumenta. E continuo em minoria. Sinto-me sempre a minoria. Até dentro de mim.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dilema


Perguntam-me porque penso tanto quando tenho que optar por algo e não faço simplesmente o que o coração manda. A resposta é sempre simples: o coração manda para duas direcções - a direcção que pensa nos outros e a direcção que pensa em mim.

Sinto-me constantemente dividida. Entre o fazer os outros felizes e fazer-me feliz a mim. Sempre que opto pelos outros sou infeliz, mas sempre opto por mim, magoo aqueles a que quero manter felizes.

Existe em mim a parte que me diz que nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Cá dentro somos só nós. Morremos quando não aguentamos mais o mundo que nos rodeia. Quando fazemos o que temos a fazer aqui. Quando aprendemos aquilo que queríamos, ou quando simplesmente decidimos que começámos com o pé errado e queremos recomeçar de novo. Partimos e voltamos quando quisermos.

Existe também em mim a parte que me diz que juntos somos um todo e só temos força se formos o todo. Esse "Eu" que me diz que tenho que dar um pouco da minha força àqueles que não a têm como eu. E que esse é um dos objectivos de estar aqui.

O "Eu" solitário é o meu egoísmo. Que quando satisfeito não me frustra nem me diminui. O "Eu" solidário é a minha essência. Que quando satisfeito me frustra por me ter diminuído a mim mesma. Durante muito tempo fui o meu segundo "Eu". Sempre a apagar-me de mim mesma. Deixando que os outros me ocupassem e me levassem na direcção que queriam. O meu primeiro "Eu" foi acumulando a frustração. Foi diminuindo o meu ser. Foi-me corroendo.

Sempre que optei por mim fui feliz e bem sucedida. Mas sempre que optei pelos outros acabei na frustração.

Tenho medo do escuro. Porque não sei onde vou bater nem quando. Porque não sei que paisagem me esconde. Mas é o escuro que mais me fascina. Porque enquanto por lá caminho vou encontrando as luzes que acendo pelo caminho e quando o quadro se ilumina dá-me a paisagem que procurava.

O meu dilema continua. Optar por mim e ser feliz (apesar de essa não ser uma certeza) ou optar pelos outros e saber que mais cedo ou mais tarde a frustração vai vir ao de cima e corroer-me apesar de por agora ser o que prefiro?

Sou uma faca de dois gumes. E tanto um como o outro me faz feridas. Resta saber qual dos dois tem mais probabilidade de sarar.


-:-

Não devia ter entrado neste barco. Porque os motores já estão ligados, vão içar a ancora, e eu preciso preciso mesmo de sair. Encontrei o meu.

domingo, 18 de abril de 2010

Problema de comunicação



Digo o que quero da forma que não devo. E não sei como é que o devo fazer. Já lá vão 25 anos disto.

Desde sempre que o sei: tenho um problema de comunicação. Mas esse não é o meu verdadeiro problema. O meu verdadeiro problema é: não sei como o resolver.

Podem-mo dizer as vezes que quiserem o "Não fales assim comigo!", mas a minha pergunta é sempre a mesma e a minha incredulidade perante esta afirmação acontece em mim sempre da mesma forma. Mas então como é que tenho que falar? A parte que mais me irrita é dizerem-me "Tens de fazer assim" e eu não conseguir distinguir aquilo que me disseram que deveria ter feito daquilo que eu fiz!

Não sou burra, não sou estúpida, não sou lenta! (Bom... por vezes preciso de uma melhor explicação, mas a verdade é que explicado bem uma vez, tá percebido!). E esta é uma coisa que eu ainda não consegui resolver! E depois o que me tira mais do sério, é saber que as pessoas que realmente me vêem como eu sou, que me compreendem à primeira, nunca levam a mal a forma como digo as coisas. E entendem sempre as minhas intenções nas coisas que digo!

Para quem não me conhece há uma coisa que têm que saber sobre mim: eu não tenho maldade. A pessoa pode ser extremamente cabra e falsa comigo, mas a verdade é que eu não lhe retribuo na mesma moeda. Não gosto dessa pessoa. Porque sim, posso ser uma boa pessoa, mas já deixei de ser parva! Mas vou sempre desejar é que seja feliz, que tudo lhe corra pelo melhor e que seja o mais longe de mim possível só para não me estragar os dias.

Por isso não me levem a mal se for bruta, se responder torto, ou se vos disser algo que pareça uma ordem. Eu não estou a ser antipática, eu não estou a chatear-me para sempre com vocês, nem estou a mandar em nada. Estou a ser despachada, estou a soltar uma frustração momentânea e estou a fazer um pedido rápido.

Cada vez me convenço mais que sou um alien. Mas já comecei a perceber que existem mais por aí. Ainda bem!

Soldier of love.

Não sei onde tenho o coração. Acho que o perdi ou fechei em algum sítio e agora não o encontro. Exactamente o que me acontece a tudo o que quero encontrar no meu quarto quando preciso e só encontro no único sítio onde não fazia sentido quando já não me faz falta. Quando o encontrar já não me serve.



quinta-feira, 15 de abril de 2010

Perco a fé.

Começo a perder a fé nas pessoas. Onde estão os bons? Aqueles que fazem e pensam em fazer o bem? As que têm valores? As simpáticas simplesmente porque sim? As que perdoam? As que amam? As que pensam nos outros e tentam a todo o custo evitar catástrofes?

Sinto-me num mar de gente que não é a certa para mim. Poucos me percebem, poucos não me julgam pelas minhas acções ou palavras quando essas não são feitas por mal, poucos tentam ser bons.

Sinto-me perdida no meio destas pessoas que não me servem. Sinto-me desiludida com o mundo. A verdade é que nunca me senti integrada. E isso magoa-me. Porque estes anos todos eu quis ser igual. E não consegui.

Mas depois eu sei que eu não quero ser igual. É aquela dualidade que faz de mim ser quem sou e quem eu sou. As duas faces da mesma moeda, de costas voltadas e exactamente do mesmo peso. Eu não quero ser igual. Eu não me sinto igual.

O meu problema, e eu até sei qual é, é que não quero estar sozinha. Daí a minha vontade de querer ser igual. Porque só sendo igual é que poderia não estar sozinha. Mas por não ser igual e não o querer ser, eu sinto-me feliz por não ter conseguido. Apesar do custo ser o estar sozinha.

Eu posso ser da velha escola. Mas sou da velha escola evoluída. E eu sei que isso é o que é correcto.

Continuo é a perguntar-me o mesmo: pergunto-me se sou eu que estou errada ou se simplesmente sou um alien e pronto. E acho que me fico por aí.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pés

Se o mundo fosse um lugar mais limpo andava descalça. Eu sou uma daquela minoria de mulheres que não morre de amores por sapatos.

São sempre demasiado altos, demasiado feios, demasiado apertados, demasiado brilhantes, demasiado berrantes, desconfortáveis, caríssimos, eu sei lá! Encontro milhares e milhares de razões para no fim gostar de apenas um par e não haver o meu número.

Chego a um ponto, em que escolho os que estão mais perto e pronto. Vão aqueles. E depois sofro.

Para mim o pé quer-se descalço. Em pedra fria quando está calor. Em meia antiderrapante quando está frio. Em alcatifa quando estão doridos. A flutuar na água quando estão cansados. A brincar com a areia quando estão de férias. Tanto faz! No fim a regra é só uma: querem-se sempre descalços.

domingo, 11 de abril de 2010

Mar, calma, vazio e solidão

Não queria o lugar fechado onde passo as 8 horas. Não queria as luzes, os cheiros, as pessoas, as más energias misturadas com as boas, simplesmente não queria. Virei onde não devia para seguir para onde queria.

Pelo caminho fui pensando no onde. Exactamente no onde. Já sabia do que precisava: mar, calma, vazio e solidão. Só me queria a mim. Antes de lá chegar encontrei no pensamento o sítio exacto e virei onde o tinha de fazer. Rotunda à segunda, semáforo à esquerda, semáforo a direita, esquerda novamente e o mar deparou-se à minha frente. Exactamente como eu pedi. Simplesmente bom demais.

Não era dia de ondas e mesmo que fosse onde estava, estava longe. O silêncio de um dia de Primavera imperou. Melhor não poderia ter sido, estava como eu o pedi.

Estacionei onde me apeteceu. Pensei que fosse encontrar mais carros, mais pessoas, mais confusão. Mas encontrei o meu vazio, a minha linha do horizonte onde nada me atrapalhava o campo de visão, onde não havia mais ninguém! Como eu pedi.

Tirei o saco do almoço, os óculos de sol e os sapatos. Muito sol a bater no carro, mas duas janelas abertas deixavam passar o vento leve que me refrescava. Preparei tudo bem preparadinho, e comi. Chegaram dois carros que tão depressa chegaram como tão depressa levaram as pessoas para longe. Incomodaram-me por momentos, mas satisfizeram-me ao partir. Continuei comigo mesma a sentir o sol.

Ao Domingo não tive a opção de almoçar com a família. E em substituição só este poderia o cenário ideal. Com a única companhia que eu poderia aceitar em seu lugar. E comportou-se exactamente como eu pedi.

*esta é minha!

sábado, 10 de abril de 2010

Cansaço

É os pés, é as pernas, é as costas, é os braços, é a cabeça... Enfim... É tudo! Cansaço de cima a baixo!

Não preciso de férias preciso é de energia. A que tenho não me chega. Ou então de uma massagem de corpo inteiro. Principalmente aos pés. Iria saber mesmo bem. Não encontro é voluntários.

Mas depois deste cansaço todo vem o pensamento que para muitos não faz sentido mas para mim faz: prefiro assim. Estar cansada por me mexer. Já estava farta do cansaço de não fazer nada. Traz com ele o pensamento de nos sentirmos inúteis.

A acrescentar, só queria algo para me sentir bem. O meu espaço. Com a minha janela, o meu sofá, a minha mesa e a minha chávena com o meu chocolate quente ou o meu chá. Sabe bem ter tudo feito mas preferia ter-me só a mim. Agradeço do fundo do coração mas estou cansada de ser fardo para quem me carrega há demasiados anos. Mas há-de vir. E há-de ser assim.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Perfeito.


O dia de hoje é isto. Pegar num livro, escolher o silêncio e sentar onde for confortável. Sem ninguém para fazer perguntas. Sem ninguém para incomodar. Só comigo.

De preferência perto de água. Mas sem ondas barulhentas. Preciso da calma. Do silêncio. Da natureza em harmonia. O mar serve quando está tranquilo.

Sem calor, sem frio. Sem vento. Assim, longe do mundo.

Simplesmente perfeito.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Lar de vazio.

Nunca pensei que o peso fosse tão grande. Que o vazio fosse tão forte. Que as almas esquecidas do mundo fossem tantas.

Ia preparada para o que ia ver mas não pensei que a imagem fosse tão triste.

Pensei que um lar de idosos pudesse ter um pouco mais de vida. Pensei que houvessem alguns moribundos perdidos pela sala mas que a maioria se entretivesse com algo. Com jogos, com conversas, com televisão. Mas que se entretivessem com algo.

As cadeiras são sempre muitas e o espaço é grande demais para o vazio das almas que lá se encontram. O tempo passou e levou com ele a capacidade destas pessoas de se moverem, a capacidade de conversarem, a capacidade de terem vontade de viver. Estas pessoas esperam. Esperam pelos amigos que não vêm. Esperam pela família que chega aos poucos e raramente aparece. Esperam por um momento de conforto, um sorriso, uma novidade. Sentam-se, aconchegam-se e esperam.

Eu tentei trazer um pouco de luz. Um sorriso afável. Um "Boa tarde" sentido. Tanta gente. Tantos rostos. Tantos corpos sem força. Tantas almas perdidas. Tantos lugares vazios.

A mim deram-me um sorriso. Uma conversa desproporcionada mas que me deu uma imensa alegria apesar da tolice que foi dita. E espero que tenha dado um momento de satisfação no entretanto.

Num lar de idosos, o sentimento que encontrei foi o da espera. Eles são muitos e esperam. Agarram-se ao silêncio e esperam que o tempo passe e o descanso eterno chegue.



Entrei pelo átrio com a minha avó pelo braço. Do lado direito encontrei 9 cadeirões distribuídos em filas de 3.
Virada de frente para mim, com um andarilho e os seus pertences, encontrava-se uma senhora a ocupar uma das poltronas. Achei-a bonita. Cabelo cor de neve, olhos de uma cor que o tempo foi apagando, e a pele enrugada da face esguia demonstrava uma idade generosa. No entanto parecia ter um ar extremamente infeliz.
- Boa tarde - dissemos as duas quase em uníssono, para o todo que era a sala, mas principalmente para a senhora.
Olhou-nos como quem tenta perceber quem é e a expressão desolada desapareceu para nos entregar o sorriso mais sincero que alguma vez vi.
- Boa tarde! - respondeu alegremente numa voz jovial. Olhando para mim exclamou - Ah! A menina está cada vez mais bonita!
Um "Obrigado!" divertido saiu-me pela boca. Apanhada de surpresa, aquele momento trouxe-me uma alegria instantânea pois nunca tinha vindo a este lugar. - Até já!
Virámos à nossa esquerda para aquela que é a sala de estar e o meu ânimo esmoreceu por momentos. Algumas dezenas de cadeirões cinzentos encontravam-se espalhados naquele espaço amplo. Metade vazios. Metade cheios. De pessoas a quem a idade tirou tudo menos a vida. Pessoas essas que observavam quem chegava e se sentiram esperançosos por um momento demasiado curto de que essa novidade viesse à sua procura.
Decidida a manter o ânimo do primeiro "encontro" fui passeando o olhar pela sala e soltando um "Boa tarde!" sorridente a quem o quisesse receber.
Não encontrámos de imediato quem procurávamos. Confesso que nem conseguia encontrar na memória a cara do velho amigo da família. Esperava já encontrá-lo no seu pior.
Perguntámos a uma das assistentes.
- Está a lanchar, vão ter de esperar.
Voltámos para trás decididas a esperar no átrio de entrada. Ao menos ali o momento tinha sido alegre e ainda se conseguia respirar sem esforço.
No caminho reencontrámos a minha amiga. Passinho a passinho, encostada ao seu andarilho, vinha decidida e ao olhar para nós voltou a recuperar aquele sorriso enorme.
- Vou lançhar! - disse-nos alegremente.
- E faz você muito bem. - respondi-lhe
- É a sua mãe? - perguntou-me olhando para a minha avó.
- Não, não! É a minha avó!
- Ah! É que é tão bonita... Mas a menina é linda!
Sorri de satisfação. Não pelo elogio em sim. Mas pela espontaneidade do mesmo. Nunca elogios me souberam tão bem como este.
- Ah muito obrigada!
- A sério! Parece a princesa de Inglaterra!
Soltei uma gargalhada. - Oh que bom! Obrigada!
- Sabe, - volveu - este casaco era dela, da princesa. - disse apontando para um casaco creme pendurado em cima do andarilho. Engraçado como tinha ali todos os seus pertences: um casaco, uma pequena manta preta, e uma pequena malinha cheia de coisas. E continuou - Trouxe a minha sobrinha, que trabalha lá numa empresa, não sei bem, e foi lá, e conheceu a princesa e trouxe este e outro que tenho guardado no quarto. - E voltou a sorrir o mesmo sorriso sincero de satisfação.
- Ah muito bem, é muito giro sim senhora.
- Mas pronto, agora tenho que ir lanchar antes que voltem a ralhar comigo. Sabem, não tenho muita fome, comi muito bem ao almoço, mas sei que tenho que comer qualquer coisinha agora. Vou beber um chá! Até logo, gosto em vê-las.
- Então até logo, bom apetite. - respondi-lhe.

Senti-me feliz. Por este momento o dia valeu a pena. Nunca um elogio me soube tão bem na minha vida.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Apetece-me.

Apetece-me conhecer-te. Dar-te espaço para veres o meu mundo e poder perceber como é o teu. Estes espaços que nos separam e os olhares que se cruzam dão-me azo à imaginação e já não sei o que fazer com ela.

Apetece-me saber quem és. Conhecer o teu nome, saber o tom da tua voz e ouvir o teu riso. Saber se és ainda mais belo quando sorris. Porque de longe não te percebo.

Apetece-me partilhar um gelado. Passear à beira mar enquanto conversamos sobre o mundo e sobre nada e sobre tudo e sobre ti e sobre mim e sobre a vida. Perceber se me completas e se sim se me completas como o quê. Se és conhecido, amigo, ou amante, ou amor ou simplesmente um passageiro.

Apetece-me descobrir-te. Sair do meu refúgio e enfrentar as ondas do inseguro. Sair do meu abrigo, sair da minha cela e perder-me numa selva que desconheço. Sentir o que já não sei sentir porque não quero cair nos mesmos erros e nas mesmas falhas. Sair do meu medo e partir à procura de sonhos que deixei cair no esquecimento e em desuso.

Apetece-me dizer-te olá. Mas depois retrocedo. E então o que me apetece é ficar no meu canto e deixar-me estar quieta.


terça-feira, 6 de abril de 2010

Egoísmo.

Continuo a não me saber perdoar a mim mesma. Talvez tu me tenhas perdoado já, mas eu, a mim, ainda não me perdoei.

Não tinha outra forma de errar. Aquela foi a única altura certa, o único momento para o poder fazer. Mas magoar-te, ter de ser eu a fazê-lo, dói-me ainda hoje com a mesma intensidade com que me doeu naquele dia. Já me "desfiz" de ti há tanto tempo e ainda te sinto tão meu.

Tenho ainda aquele medo que me consideres egoísta. Que acredites que apenas pensei em mim, quando na verdade não foi assim que aconteceu. Sim, pensei em mim. Naquilo que queria experimentar, naquilo que queria conhecer, naquilo que queria viver. Mas conheces-me bem. Sabes que se fosse por puro egoísmo não o teria feito. Se me conhecesses mesmo, saberias que não faço nada por egoísmo puro. Ou o faço porque a pessoa merece que o faça (e tu não o merecias) ou o faço porque acredito que aquilo é também o melhor para a outra pessoa.

Eu pensei em ti. Por muito que não o aceites, por muito que não o acredites eu fi-lo por ti. Não quis apagar-te de ti. Não quis que te destruísses para seres algo que não eras. Não quis que criasses um monstro que te iria corroer até não aguentares mais. Porque sim, no hoje as coisas poderiam até ser perfeitas. Mas no amanhã ou no depois ele iria consumir-te.

Eu pensei em ti. Pensei nos teus sonhos, nos teus ideais, na tua forma de seres tu. Tu não tinhas de ser aquilo que eu queria que fosses para poderes continuar comigo. Tu ias mudar tudo para seres meu. Era uma prova de amor. Sei que era a tua mais pura prova de amor. Sei que me querias para sempre. Sei que eras o meu príncipe. Mas eu não te queria fazer a sofrer aos poucos.

Tu sabes que eu parto. Que eu vou, eu volto, eu vou para onde for sempre que puder ir. A minha alma é nómada e eu não quero parar por agora. Preciso de ir à procura do meu alimento, da minha novidade, da minha aprendizagem. Preciso de me sentir livre. Conhecer o mundo. Conhecer as pessoas. Aprender a ser diferente.

E sabes que te amei. Mais do que alguma vez imaginei. Sabes que te queria. E espero que nunca duvides disso. Porque mesmo quando me perdi de mim, eu te amei.

E a razão pela qual hei-de partir é por saber que foi esse o real motivo pelo qual te afastei de mim. E enquanto não chegar ao meu destino não te vou querer esquecer.

Ainda hoje sei que foi um erro. Ainda hoje sei que não te vou esquecer. Mas de uma coisa eu tenho a certeza. Egoísmo não foi.


domingo, 28 de março de 2010

Não!


Deixa-me da mão! Larga a minha vida, o meu ser e mais do que tudo o resto, larga o meu corpo! Deixa-me ser livre para ser feliz...

Não quero ser mais prisão de ti, não quero ser mais tua! Fazes-me querer tão fortemente um não que chego a não desejar voltar a ser de outro alguém!

Fizeste-me duvidar de mim, fazes-me odiar-me a mim... Querias fazer com que me perdesse. E eu não fiz nada, não faço nada mas vou fazer mais do que sempre não fiz.

Já chega... Não quero mais...

Não quero mais choro, com as lágrimas que se me derramam pelo rosto, se me perdem pelo chão, se encharcam na almofada que me aconchega. Não... Não quero mais o desespero de me perder de mim, o medo de não me ter em meu poder, o silêncio em que me fecho e me isolo do mundo para poder acalmar. Não quero mais...

Já chega. Já chega de sentires que tens, já chega de insistires que queres, já chega de me quereres a mim.

Não quero mais a tua autoridade, esse teu desejo de desejo, esse desejo de poder, nem o desejo de poder ter-me quando te lembras que eu existo. Tu de mim não tens mais nada. Para ti, para ti sim! É um não!

terça-feira, 23 de março de 2010

Cega de raiva!

P.S. - Peço perdão a quem se sentir ofendido com a imagem. Mas é mesmo isto.

Aquela escuridão momentânea de quem perder o controlo do corpo e do bater do coração. Como me deixo envolver neste sentimento obscuro e intenso, tão pouco neutro e tão fortemente influente?

Em vez de calar a alma só me atiro para um discurso incoerente do qual saio do lado errado do campo de batalha. Nestes dias acabo por me odiar a mim mesma, acabo por perder a noção do meu caminho, acabo por ser levada por uma estrada que insisto em não percorrer.

Eu sou do lado dos brancos. Mas sou peão. Sempre peão. Comandado à sua sorte, na esperança de abrir caminho para deixar passar o rei. Quantas vezes este peão se deixou comer sem manobra de defesa? Quantas vezes sai derrotado no campo de batalha sem ter forma de se defender? É carne para canhão e nunca se lhe reconhece o espírito de sacrifício.

Eu sou do lado dos bons, mas sou do lado dos mal entendidos. Dos mal amados. Dos atacados pelas costas.

Às vezes pergunto-me se misturo as línguas que falo e talvez seja por isso que não me entendem. Ou pergunto-me se falo numa linguagem ou tão retrógrada ou tão avant-garde que se torna demasiado complicada de se entender. Mas acho que a resposta é apenas uma: tu é que não tens capacidade mental para me compreender. Ai desculpe. Tu não. Você. Porque sim, você não é minha amiga. E se Deus existe, pelo menos nisso ele acertou.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Aquele ódio.

Hoje é um daqueles dias. Em que odeio as pessoas. Aquelas que são injustas. Aquelas que são burras. Aquelas que são estúpidas. Aquelas que não fazem ideia do que é ser compreensivo, ser simpático, ser um ser humano com valores. Um daqueles dias em que te odeio a ti.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Preguiça!



Hoje sinto-me naquelas dias de preguicite aguda que nos dão aquela vontadinha enorme de ficar enroscada no aconchego dos lençóis o dia inteirinho. Chove lá fora, está aquele ventinho de revirar guarda-chuvas e está frio! Por isso hoje a peguiça entregou-se a mim.

Sabe tão bem estar assim. Perdida no nada, esquecida no vazio, a apreciar o momento. A rádio ligada e de tempos a tempos volto à realidade para entender o que o mundo me transmite. Mas depois deixo-me voar por onde me apetece. Entrego-me ao sonho de tempos a tempos. Volto quando me canso. E simplesmente sabe-me tão bem.

Ai. Quem me dera que o hoje fosse sempre.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ora bem!

Ora bem!

Parece que me retornei a mim! Adorei, repito se puder, mas continuo a saber que o amor, se existe, existe quando tiver de existir.

Como já o disse: Aquilo que nos pertence mais cedo ou mais tarde volta a nós. Não é o momento para tu e eu. Pessoa certa à hora errada. E vou deixar-me ficar até onde puder ficar sem me arrancar bocados que me retirem a sanidade mental.

Por instantes perdi-me do meu caminho, não só por ti. Tive o medo de não seguir o que me designo a seguir, mas no fundo sei que não quero que me distraiam dos meus objectivos.

Tenho que pegar nas armas e dedicar-me finalmente a batalha de conquistar o meu mundo. Porque neste momento só vejo heras à minha volta, e encontro-me no topo de uma pirâmide em que não me quero. Olho à volta e não sei onde pisar, mas sei que ficar parada faz-me criar raízes que não quero criar por agora. Aliás, neste momento sinto-me criar musgo que me tapa a visão e me prende os movimentos. Porque não faço e começo a não querer fazer.

Portanto, ora bem! Toca a mexer que se faz tarde e o amanhã chega cedo demais! Vou por onde? Bom, para já pode ser por ali.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Agora.

Agora mudei. Estou num ponto de partida para uma corrida que quero correr. Estou naquela fase do mundo em que giro sem retorno para chegar a uma meta que não tencionava cortar. Estou naquele momento da história em que ou ataco ou perco as forças e deixo-me vencer.

Agora deixei-me levar. Por coisas que já não sabia sentir, por coisas que não pensei deixar existir tão cedo e num lugar tão próximo. Tinha tudo tão decidido já, tão definido já, tão longe daqui.

Agora estou longe. E pergunto-me com que objectivo me quero sentir. Com que rumo me quero levar. Com que vida me quero ter. Aquelas perguntas que vão ficando sem resposta, porque é sim porque sim, e é sopas porque sopas. E eu gosto das duas por motivos opostos.

Agora sou encruzilhada. Agora estou presa. Agora estou como também gosto e como já me sentia falta. Agora gosto. E agora já não sei que fazer de mim.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Os 25.

Ai os 25. Se eu pudesse tinha parado nos 23. 25 já me pesam na memória e fazem-me lembrar que a partir daqui é sempre a contar e nunca mais pára. Hão-de vir os filhos, as dores de cabeça, as angústias, as mudanças de emprego, as mudanças de hábitos, a criação de novos hábitos, as mudanças de casa, as saídas de casa e depois hão-de vir os netos.

Aos 25 já sinto que começa a ser tempo de deixar de ser solteira. De arranjar O homem que vem a cavalo salvar-me dos dragões e coisas do género. Aquela coisa a que chamamos "príncipe encantado"! Giro todos os dias e com aquele charme que só nós mulheres compreendemos. Ai... O Homem da minha vida. Que nunca mais se decide a chegar. E que sinto que se deve ter perdido pelo caminho.

Aos 25 já não há espaço para as desculpas do "Ai! Esqueci-me", do "Bolas, foi sem querer" e do "Oh! Não me digas!". Convém não falhar, convém crescer. Já não és criança, já não podes ser adolescente e estás entre o jovem e o qualquer coisa ali no meio.

Aos 25 começa a realidade. Abres os olhos para o mundo. Vês que afinal o cor-de-rosa só existe nos filmes americanos e a realidade está pintada de preto e branco. As cores foram inventadas para nos divertir. Fechas o teu mundo só aqueles que estiverem mais perto e se mostrarem mais disponíveis. Aos 25 ser ingénuo já não serve. Ou pisas ou és pisado.

Aos 25 começas a contar a vida. O dinheiro no bolso, as migalhas de pão, os amigos que casam e tu nada!, as viagens que ainda não fizeste e ou fazes agora ou já não fazes, as loucuras que já não podes fazer porque as costas já doem, os pés já se queixam e o fígado já não deixa... Aos 25 já dizes "Um quarto de século!" e ficas melancólico e cheio de saudades dos 15.

Aos 25 começas a ouvir o que até ali estava implícito que um dia irias ouvir: "Já saías de casa, digo eu. Não sei!... Um emprego estável e tal... Casar...". E tu respondes com um: "Pois!". Que mais há a dizer?

Aos 25 já tens medo. Já sentes a responsabilidade a cair-te em cima dos ombros. A tua voz interior a dizer "Não faças isso". Já não convém dizeres "Mãe, como se faz?" porque já tens idade para o saber. Já tratas do IRS, sabes que detestas o IVA e o Imposto Automóvel, começas a poupar para a vida e ficas na esperança de que ainda não a tenhas de viver sozinho já.

Aos 25 meus amigos já não há desculpas. Já não há segredos. Já não há protecção. Já não há compaixão.

Aos 25... Aos 25, começa a vida.